terça-feira, 22 de Dezembro de 2009

Prenda para os leitores

Ah pois é!!! Levam prenda! Lamento mas só dá para quem está em Lx e ainda não comprou as prendas todas.

1. As filas na Fnac não são tão más como parecem. Usem a versão self service :-)

2. Se as "médias" superfícies tiverem o que procurem, não hesitem. Compram o mesmo, sem a versão udo ao molho e fé em Deus.

3. Para mim o chiado continua a ser o melhor sítio para fazer as compras. Não tem tudo, tudo, mas quase, respira-se bem e é bonito!

E para todos... FELIZ NATAL!!!! HO HO HO!!!

HO ho ho, here i go...

Todos os anos penso em comprar as prendas de Natal lá para Novembro, para o fazer nas calmas e com tempo. Todos os anos tenho sempre uma prenda que compro no dia 23. O que faz deste ano um recordista, vista bem as coisas.... Está bem que só comecei no fds, mas acabei hoje! :-)

Confesso que antes é sempre um drama... Está tudo cheio de gente, ai que raio vou dar o quê, etc, mas depois gosto imenso de procurar a prenda especial para cada um e fico sempre cheia de 1001 ideias geniais que o orçamento não permite concretizar. Falando de orçamento, este ano as prendas são para a família e mai nada. Reclamações na caixa de comentários.

Dia 1 - Prendas para os outros e para nós

Fomos os dois ao Colombo, com roteiro traçado e lista de compras por loja, o que é dentro da ineficácia da época o mais eficaz possível. Depois rumamos até Saldanha. Péssimo para o trânsito, mas centros comerciais mais vazios, o que permite andar sem ser ao empurrão. Resultado: prendas quase todas. Chegamos a casa e eu dei-lhe uma prenda - que ele tinha gostado e tinha percebido que tinha comprado para ele, por isso não fazia sentido guardar. Depois ele deu-me uma prenda - que eu tinha gostado e tinha percebido que tinha comprado para mim, por isso não fazia sentido guardar. Sim, nós retorcemos a lógica natalícia pela antecipação.

Dia 2 - Prendas para mim e para ele

Dia de compras em separado. Ele foi comprar o que lhe faltava. Eu fui com uma amiga tentar comprar prenda para ele, mais umas "prendas por encomenda" que mãe pediu. Resultado:

Hipótese 1 para ele - esgotado;
Hipótese 2 - não dava;
Hipótese 3 - não era o que pensava;
Hipótese 4 - o sr que me ia vender o artigo disse-me, basicamente, que não prestava. Ficamos os 2 a saber e agradecemos a honestidade, um feliz natal para si.

No meio das prendas dele, vinha uma coisa para saborearmos os dois ao jantar :-) O que foi fabuloso para regar o humor cão.

Dia 3 - A solo

Rumo ao Chiado, sozinha, depois de de manhã lhe ter perguntado - olha lá como é que se chama aquele chá que tu gostas? A ideia era trazer para aquecer a noite. Rua acima, rua abaixo, decido não comprar o chá mas outra coisa - e tinha 50 pessoas à frente. Consegui encontrar o artigo supostamente esgotado (yupyyy!!!!) e comprar mais uma prendinha para a minha mãe. Balanço muito positivo, portanto. Só foi pena ter decidido que não me ia meter na confusão para almoçar e ter entrado num restaurante de sushi, acompanhada do Público, a pensar: que se lixe, é a prenda para mim. O restaurante estava vazio, é certo, mas o atum intragável.

Portanto, agora... Vou-me deitar a ver filmes de Natal e a ler, tá bem?

NOT!!!

Na realidade vou lavar loiça, fazer a mala, decidir que calhamaços levar (é seguro porque não tenho lareira, logo não correm risco de combustão num ataque de fúria), considerar alugar trenó para levar as prendas e, quiçá, estudar, que dava jeito...

sábado, 19 de Dezembro de 2009

Carolina...

Chamo-te Carolina porque este não é o teu nome. Mas podia ser. Achei que combinava contigo, com os caracóis escuros encostados à almofada, o rosto rubro da febre que adivinho trazer-te em delírios, estás suada, agitada, a espaços gemes. Gemidos escritos numa coragem que me confunde, tens 3 anos, afinal, mas pegas-te à vida com um desespero único, uma garra visceral que parece ser a corrente vital no teu corpo tão, tão mal tratado, meu Deus e eu seguro no lençol enquanto te fazem o penso, desvio-me para que seja ajustada a dose dos antibióticos que nem sei se estão a funcionar, vou tentando falar contigo, desajeitada. Sabes, nunca tive jeito para putos, Pediatria foi a 1ª opção que pus de parte, mas os teus olhos, azeitonas pretas com cor de geada, olham para o fundo de mim e eu não sei o que fazer. Ponho-te a mão na testa, nem tenho luvas, faço-te festas, tento falar contigo, mas o delírio, a dor excruciante por detrás desses ténues gemidos são mais fortes que a minha voz a fugir ao trémulo e eu sei que não me ouves.

Carolina, foi contigo que cortei as tranças. E com elas foi-se a minha fé de que na Medicina o que é possível fazer por quem está doente é o melhor. Pensei duas vezes no preço que às vezes tem que se pagar em troca de continuar uma vida. Pensei com que direito. Seria isso que tu escolherias? O certo e o errado ficaram ali confusos, numa escala de cinzentos que espero que um dia alguém me ajude a perceber.

Saí do teu quarto e andei em frente como um kamikaze, não sabia para onde ir, tinha lágrimas nos olhos que encondi, levantei a cabeça, segui em frente, disfarcei. Mas vi o teu rosto no meu sono nessa noite. E na outra e na outra. Se fosse um filho meu, pensei, mas não se pode pensar assim, bem sei. Mas aquele dia, aquela manhã, deixou-me aqui um buraco e ainda estou a tentar perceber o que fazer com ele. Um rasgão, percebes?, uma inocência que se perdeu e que não volta, mas creio que o tempo me dirá o que fazer com ele, o tempo há-de encarregar-se de decidir para onde ele vai.

Mas de ti, nunca me vou esquecer. Passe o tempo que passar. Que o tempo faça o que for melhor para ti.




Time, all the long red lines, that take
Control, of all the smoke-like streams that flow into your
Dreams, that big blue open sea, that can't be
Crossed, that can't be climbed, just born
Between, oh the two white lines, distant gods and faded
Signs, of all those blinking lites, you had to pick the one tonight...

Holes, dug by little moles, angry jealous
Spies, got telephones for eyes, come to you as
Friends, all those endless ends, that can't be
Tied, oh they make me laugh, and always make me
Cry, until they drop like flies, and sink like polished
Stones, of all the stones i throw,
How does that old song go?
How does that old song go?...

sexta-feira, 18 de Dezembro de 2009

Ironias

Finalmente, férias.

2 semanas sem aulas, sem hospital, com a bata arrumada a um canto e o estetoscópio fechado na bolsinha que lhe comprei.

O que quer dizer que, finalmente, posso comprar as prendas de Natal, por as contas em dia, arrumar a casa e, finalmente, ter tempo para estudar como deve ser. E eu bem que preciso de estudar...

Por isso, Pai Natal, se já aderiste ao mundo blogueiro, o meu pedido é simples. Traz-me umas boas doses de café, se possível acrescenta umas horas ao meu dia e deixa cá 2 duendes: 1 para arrumar e outro para me fazer uma massagenzita de quando em vez.


A gerência agradece.

Viver a vida

No hospital, volta e meia aparece um doente com um diagnóstico terminal, como o Sr. A., humilde, fragilizado, cheio de dores que atribui a uma hérnia, alguém lhe há-de ter explicado que não, que tinha um tumor, estado avançado, que a Medicina não tinha muito para lhe oferecer.

Houve também a Srª F., que foi o adulto que eu vi em pior estado, era nova, o corpo como que lhe apodrecia, pensei no sofrimento do pai, que a acompanha. 5 minutos com ela e não lhe esqueço o rosto emagrecido, o lenço a tapar o cabelo caído. Disseram-me que morreu na semana passada.

Para todos eles, uns mais do que outros, a vida foi traiçoeira. A rasteira do tempo fê-los tropeçar numa cama de hospital. E o tempo deixou de ser contado em anos, para ser contado em dias. Há quantos dias foi internado. Há quantos meses se sente assim. Quantos meses, semanas, dias, irá viver.

Não controlam a sua vida, porque ela é controlada pela doença, epicentro sísmico com data por vezes pouco precisa, a abanar réplicas até ao abalo final.

Eu vejo isto quase todos os dias. E pior. E a vida ganha sempre outro sentido. Mas não sei como é que isto se explica. Não sei como se convence alguém saudável a aproveitar o que tem. Tens o mais importante, a saúde, é frase que cá fora, do outro lado das paredes brancas do hospital, onde não cheira a desinfectante, é banal. É um bem assumido. Por vezes pouco valorizado.

Fica-se preso em rotinas, tolhido por medos, encostado a uma tristeza que dói, corrói lentamente, faz perder o brilho. Fica-se numa escuridão porque ela traz o conforto do conhecido, legitima o medo de arriscar. A vida não me dá mais, diz-se, indiferente às portas que se vão abrindo pelo caminho.

E eu não sei mostrar que não. Que a vida é o que fazemos com ela. Que há maus momentos, é certo, mas que eles acabam e vem um bom logo a seguir, é só preciso ter a coragem de o encontrar. Que as responsabilidades que nos são dadas só caem nos ombros de quem é grande o suficiente para as segurar. Que às vezes é só preciso estender a mão para segurar na daqueles que nos tentam puxar para que a escuridão, aos poucos, fique para trás.

Ser feliz com o que temos pode nem sempre ser fácil. Ser feliz implica ter a coragem de o ser. Implica deitar a mão ao que temos, antes que seja tarde mais. Viver da melhor maneira possível. Implica perceber o quanto sortudos somos por a felicidade, para nós, ser uma escolha, por estar ao nosso alcance e não ser já uma oportunidade que pertence ao passado.

Como é que isto se explica?

terça-feira, 15 de Dezembro de 2009

Be extraordinary

É este o conselho que a mãe da Meredith lhe dá às tantas, num dos episódios da Anatomia de Grey. Com o tempo e passada a revolta, ela lá percebe que, coisa atípica, com aquilo a mãe não lhe queria dizer para ser melhor cirurgiã do hospital, mas sim para ser uma cirurgiã excelente, claro, mas também uma pessoa completa e feliz.

Eu não sou extraordinária. Sou do mais normal que há. Tenho, claro, as minhas ambições profissionais. E a parte profissional da minha vida é uma das minhas prioridades. UMA das, não A. E por isso não, não vou ter um hobby esporádico só para me servir de muleta na reforma. Nem vou perder qualidade de vida a ficar agarrada aos livros quando já estou a trabalhar\ estudar há 14h seguidas. Nem vou deixar de lado tudo o resto da minha vida para ser a melhor seja no que for. Eu preciso dos meus tempos vazios, de quality time com os meus, de hobbys que são mais do que muletas para o meu equilíbrio mental. Para ver o que vejo e manter-me firme, mas não endurecer nem ficar fria. Para me sentir completa com o que faço, sim, mas também com quem sou e com o que construo fora do hospital. Para me sentir realizada e ser feliz. E, na minha inocência de pessoa não extraordinária, acredito que isso me há-de tornar uma médica melhor.

Por isso, se esperam que eu não resmungue quando me cortam nas férias ou que peça desculpa por ter vida própria... Esperem sentados, sim?


and I've seen enough to know
that I've seen too much

so Mr. when you're rattling
on heaven's gate
let me tell you Mr.
by then it is too late

cause Mr. when you get there
they don't ask how much you saved
all they'll want to know, Mr.
Is what you gave

excuse me Mr.
but I'm a mister too




segunda-feira, 14 de Dezembro de 2009

Mas a quem...


a QUEM é que acontece tirar café de uma máquina que está mesmo ao lado de uma porta e depois, ao virar para passar na porta, ir contra uma cadeira de rodas que por-acaso-mas-olhem-lá-que-coincidência estava a passar e VERTER café A ESCALDAR para cima da velhota???


A QUEM É QUE ACONTECE ISTO????



Pois...

Já passaram na rua

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